Quando já não se tem 12 anos

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Dizia-me, há meses, a minha irmã de 12 anos que estava apaixonada, pela pessoa mais bonita do mundo. Era uma daquelas paixonetas platónicas, por um cantor. Tinha as músicas, tinha os posters... o que não tinha?
Hoje, encontrei, num canto de uma gaveta do meu quarto, perdida, uma folha em que estavam escritos, pela letra da minha irmã, o nome dela mais o nome daquele tal cantor arrasa corações. Peguei naquele pedaço de papel e, como criança deliciada, fui confrontar-lhe com aquilo, à espera que ela ficasse envergonhada e que desatasse aos gritos. Como todas as meninas fazem. Pois bem, a senhora Rita surpreendeu-me. Não fez nada! Pior, olhou com indiferença aquelas letras escritas a cor-de-rosa e a vermelho e disse: “ah, isso…”.
Não era o que eu estava à espera. De forma alguma. Ela virou-me as costas e continuou a fazer lá o que estava a fazer.

Não convencida, fui tirar satisfações. “Então tu não gostavas dele? Ele não era o mais lindo do mundo para ti?” Com a Rita mantenho aquela linguagem de crianças, até porque não me sei chegar a ela de outra forma, somos, como sempre fomos, crianças.
“ Já não gosto dele. Já passou”.

Não fiquei nada satisfeita. Primeiro, porque o meu plano para a deixar constrangida foi um fiasco e depois, porque, de repente, parecia que a Rita tinha crescido e eu me mantivera uma criança.

Criei um blogue

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Não é o meu primeiro. Será o último?
Bem, parece que estou a começar pelo fim…

Quando se deu o “bum” dos blogues, há 2 ou 3 anos atrás, eu não gostava nada deles. Dizia até que mais parecia uma pandemia de blogues. Achava estúpido as pessoas os terem, como espécies de diários.

Hoje, a minha opinião sobre os mesmos, já não é bem assim. Até porque, já deu para ver, criei um. Sim, continuo a achar que são uma pandemia, mas comecei a olhar para eles, como um sítio onde as pessoas vão colocando as suas crónicas. E eu gosto de crónicas. E gosto de ir aos blogues dos meus amigos e dos desconhecidos, ler um pouco sobre a sua vida transformada numa estória. Afinal de contas, a vida real é pano para muitos livros. Eu também gosto de escrever. Eu também tenho as minhas reflexões. Pois bem, vou começar a deixá-las aqui, nem que seja para um desconhecido qualquer ler e, se não concordar com o que eu digo, discordar completamente.