quando são estas coisas, não sou boa a dar títulos

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É engraçado como o ser humano é o verdadeiro animal da adaptação. Não estamos bem, mudamos. Estamos mal enquadrados, inserimo-nos. Por vezes, a atropelar coisas que dizemos pertencerem ao nosso modo de ser, mas é engraçado…é engraçado ver como mudei e voltei a ser a mesma. É isso. Mudei. Hoje sou outra pessoa, porque voltei a ser eu. E também é engraçado por hoje estar a escrever e a sentir isto. Ainda na semana passada tive um dia em que odiava tudo. Cada coisa que tinha e que tinha sido eu a levar-me a ter. Confuso? É que, às vezes, acordo e parece-me que tudo está mal. É que, às vezes, chego a casa da faculdade, o meu trabalho, e parece-me que tudo está mal. Porque é como se um pano caísse, e eu captasse toda a tela. Não gosto de pensar saber já que cores nela figuram, porque gosto é de ser ingénua e cega. Ultimamente, tenho-me sentido plena, tão leve e bem, que às vezes tenho medo de perder tudo. Tudo aquilo que me faz feliz. A minha mãe, a minha irmã, o meu pai, os meus amigos, o sol, as pernas, a faculdade, a vista da minha janela, a carta de condução, as estrelas, os sonhos…

Estou contente! A hora mudou e agora é dia durante mais tempo.

Dia Mundial do Teatro ao ouvido

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O Primeira Fila celebra o Dia Mundial do Teatro com este primeiro programa, no jpr. Façam clique e oiçam! Entrevista a Nuno Carinhas, Júlio Cardoso, entre outros.

E é claro, dêem um saltinho ao blogue do Primeira Fila, um sítio onde podem ficar a saber o que anda a acontecer na agenda cultural do Porto!





tudo está bem, quando acaba bem

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odeio discussões. odeio, ainda mais, ser eu a discutir, estar envolvida numa discussão, frente-a-frente. mas, sinceramente, têm sido das conversas mais ricas que tenho vindo a ter. uma discussão acesa, com argumentos e contra-argumentos. mentalmente, a acumular razões, episódios, desculpas...verdades, mentiras, meias-verdades... e, no final, acabar tudo com um sorriso e um beijinho.

Serviço Discos Pedidos por Mim:

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"Talullah", dos Jamiroquai, do álbum Dynamite(2005) - uma música que descobri há pouco tempo. vale a pena ouvir!

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qual é a probabilidade de vermos duas estrelas cadentes em menos de um minuto?

depois de um dia cansativo, apesar de ter sido um domingo, sentei-me, há quatro dias atrás, em frente à janela do meu quarto, peguei num cigarro e abri completamente a janela. deviam ser quase 3 horas. da manhã. estava mesmo cansada. meia ensonada, comecei a pensar na vida, e enquanto andava pelo mundo da lua, olhava para aquelas estrelas todas e senti-me como sempre me sinto, quando olho para cima à noite: uma pequena, ínfima formiguinha. é o que todos somos por aqui, formiguitas. mas tal como os animaizitos, também temos o que se lhe diga e merecemos ser levados em conta, ó estrelas e ó universo! mas pronto, como estava a contar, andava eu no mundo da lua e olhando para aquelas estrelas todas, pensei: bem, mundo, se acabares em 2012, como dizem por aí, já valeu a pena, portaste-te bem! (é lindo o mundo, não é? quero dizer, somos tão pequenos e tudo isto às vezes, parece tão grande... de vez em quando, damo-nos conta destas coisas, não é verdade?) e não é que ao som da minha música que estava a tocar no portátil, vi uma estrela cadente! caramba, é uma daquelas coisas que me deixa assim...não sei explicar...é uma estrela cadente, é como um arco-íris, mas mais fixe. pensei logo, bem, já é a minha oitava estrela cadente! continuo eu especada a olhar para o céu, porque, vá lá, ainda aparece outra. é claro que não, mas pronto, uma pessoa até fica à espera. e antes de conseguir pensar, qual é a probabilidade de conseguires ver duas na mesma noite, outra! foi a nona. foi bonito. depois do dia que tive. bela forma de acabar o dia.

Chocolate, o vício que não me pesa na consciência

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Na altura do Natal, há uma coisa que nunca falta – e que eu adoro que nunca falte -, chocolate. Quando se tem aquele pequeno vazio na barriga e sabe-se que só uma coisa o pode preencher, é bom tê-lo por perto, e em grandes quantidades. Como grande amante do chocolate, este para mim nunca é a mais. E, neste momento, estou a deliciar-me com um pequeno pai natal, de chocolate, claro.

Acho que das minhas partes preferidas, porque comer chocolate é como um ritual, é tirar o invólucro. É um dos melhores momentos do "ritual", porque ao começar a tirar o papelzito, imaginamos a primeira trinca, sentimos o sabor do bom chocolatinho.

Sempre tive um problema: só como porcarias. Mas, chocolate é uma bela porcaria que nunca me pesa na consciência.

E, é claro, como viciada em chocolate, desconfio sempre de pessoas que dizem que não gostam de chocolate. São estranhas.

Coisas ditas da boca para fora

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Há um dia ou dois atrás, a Daniela, depois de falar ao telemóvel com a mãe, diz-me, "oh pah, um médico, que a minha mãe conhecia bem, lá da póvoa, suicidou-se". Eu, "porquê?". "não sei bem, parece que foi por causa da mulher dele". "matou-se por causa da mulher? que estupidez! tanta gente que morre sem querer e tão cedo, gente que luta até à última para sobreviver e esse mata-se por causa da mulher? não tenho pena nenhuma dele. eu é que não me matava por causa de uma mulher ou homem!". "ei, Sara, que insensível."

É... e fui. mas naquele momento tive, não diria raiva, mas um desprezo tão grande por tal motivo de suícidio.

No dia seguinte (e ainda hoje), arrependi-me do que tinha dito. quem sou eu para julgar tal assunto? vá-se lá saber o que não passaria na cabeça do homem? não sou ninguém e, com certeza, esse médico chegou a um limite. é como estes loucos que eu vejo com frequência, nas ruas do Porto. não era tão normal, não havia muitos na Vila ou na Póvoa, mas aqui cruzo-me com uns quantos. eles também chegaram a um limite. não sei bem qual, mas que chegaram, lá isso chegaram. é sempre assim, passamos por eles, dá-nos um arrepio, sentimos congelar qualquer parte, que ainda não sei bem ao certo, do nosso corpo e continuamos caminho. é como se todo o mundo deles se resumi-se às suas cabeças, onde está o cérebro, parece que está tudo concentrado, todas as histórias que eles ora gritam, ora sussurram, sem terem qualquer sentido para nós. não conseguimos decifrar, é outra linguagem...

Como Saramago, que sexta-feira, na sic, desabafou que chamar filho da puta a Deus teria sido um bocado exagerado da sua parte. não vou falar mais sobre Saramago ou polémicas, porque tenho apenas três palavras: liberdade de expressão.

As coisas ditas da boca para fora, não recuam, não voltam a entrar para a boca donde saíram, mas podem ser suavizadas com:"Disse da boca para fora."