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qual é a probabilidade de vermos duas estrelas cadentes em menos de um minuto?

depois de um dia cansativo, apesar de ter sido um domingo, sentei-me, há quatro dias atrás, em frente à janela do meu quarto, peguei num cigarro e abri completamente a janela. deviam ser quase 3 horas. da manhã. estava mesmo cansada. meia ensonada, comecei a pensar na vida, e enquanto andava pelo mundo da lua, olhava para aquelas estrelas todas e senti-me como sempre me sinto, quando olho para cima à noite: uma pequena, ínfima formiguinha. é o que todos somos por aqui, formiguitas. mas tal como os animaizitos, também temos o que se lhe diga e merecemos ser levados em conta, ó estrelas e ó universo! mas pronto, como estava a contar, andava eu no mundo da lua e olhando para aquelas estrelas todas, pensei: bem, mundo, se acabares em 2012, como dizem por aí, já valeu a pena, portaste-te bem! (é lindo o mundo, não é? quero dizer, somos tão pequenos e tudo isto às vezes, parece tão grande... de vez em quando, damo-nos conta destas coisas, não é verdade?) e não é que ao som da minha música que estava a tocar no portátil, vi uma estrela cadente! caramba, é uma daquelas coisas que me deixa assim...não sei explicar...é uma estrela cadente, é como um arco-íris, mas mais fixe. pensei logo, bem, já é a minha oitava estrela cadente! continuo eu especada a olhar para o céu, porque, vá lá, ainda aparece outra. é claro que não, mas pronto, uma pessoa até fica à espera. e antes de conseguir pensar, qual é a probabilidade de conseguires ver duas na mesma noite, outra! foi a nona. foi bonito. depois do dia que tive. bela forma de acabar o dia.

Chocolate, o vício que não me pesa na consciência

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Na altura do Natal, há uma coisa que nunca falta – e que eu adoro que nunca falte -, chocolate. Quando se tem aquele pequeno vazio na barriga e sabe-se que só uma coisa o pode preencher, é bom tê-lo por perto, e em grandes quantidades. Como grande amante do chocolate, este para mim nunca é a mais. E, neste momento, estou a deliciar-me com um pequeno pai natal, de chocolate, claro.

Acho que das minhas partes preferidas, porque comer chocolate é como um ritual, é tirar o invólucro. É um dos melhores momentos do "ritual", porque ao começar a tirar o papelzito, imaginamos a primeira trinca, sentimos o sabor do bom chocolatinho.

Sempre tive um problema: só como porcarias. Mas, chocolate é uma bela porcaria que nunca me pesa na consciência.

E, é claro, como viciada em chocolate, desconfio sempre de pessoas que dizem que não gostam de chocolate. São estranhas.

Coisas ditas da boca para fora

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Há um dia ou dois atrás, a Daniela, depois de falar ao telemóvel com a mãe, diz-me, "oh pah, um médico, que a minha mãe conhecia bem, lá da póvoa, suicidou-se". Eu, "porquê?". "não sei bem, parece que foi por causa da mulher dele". "matou-se por causa da mulher? que estupidez! tanta gente que morre sem querer e tão cedo, gente que luta até à última para sobreviver e esse mata-se por causa da mulher? não tenho pena nenhuma dele. eu é que não me matava por causa de uma mulher ou homem!". "ei, Sara, que insensível."

É... e fui. mas naquele momento tive, não diria raiva, mas um desprezo tão grande por tal motivo de suícidio.

No dia seguinte (e ainda hoje), arrependi-me do que tinha dito. quem sou eu para julgar tal assunto? vá-se lá saber o que não passaria na cabeça do homem? não sou ninguém e, com certeza, esse médico chegou a um limite. é como estes loucos que eu vejo com frequência, nas ruas do Porto. não era tão normal, não havia muitos na Vila ou na Póvoa, mas aqui cruzo-me com uns quantos. eles também chegaram a um limite. não sei bem qual, mas que chegaram, lá isso chegaram. é sempre assim, passamos por eles, dá-nos um arrepio, sentimos congelar qualquer parte, que ainda não sei bem ao certo, do nosso corpo e continuamos caminho. é como se todo o mundo deles se resumi-se às suas cabeças, onde está o cérebro, parece que está tudo concentrado, todas as histórias que eles ora gritam, ora sussurram, sem terem qualquer sentido para nós. não conseguimos decifrar, é outra linguagem...

Como Saramago, que sexta-feira, na sic, desabafou que chamar filho da puta a Deus teria sido um bocado exagerado da sua parte. não vou falar mais sobre Saramago ou polémicas, porque tenho apenas três palavras: liberdade de expressão.

As coisas ditas da boca para fora, não recuam, não voltam a entrar para a boca donde saíram, mas podem ser suavizadas com:"Disse da boca para fora."

À noite, é bom estar inconsciente

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Como chegar a sítios que não dão para calcar?

Como me habituar à ideia de que tudo muda, tudo mudou e eu não pude fazer nada?

Como adormecer sem sentir o coração a ranger de revolta por não ter…

Fiquei gelada, naquele momento, e mesmo lutando por dentro, não consegui mexer um dedo.

É um facto. Não pude fazer nada.

É pena. É frustrante. Chega a ser insuportável… saber que há momentos em que não posso fazer nada. Saber que não tenho a capacidade, nem a possibilidade de dirigir o destino. O meu. A minha vida. Não sei que lhe faça, às vezes. Mas sei o que sou. Ainda não totalmente quem sou… Não. Não são a mesma coisa. Eu não sou todos os dias a mesma coisa. E, ainda bem.




Como li num livro, às 3 da manhã passa-nos tudo pela cabeça.
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Hoje foi um daqueles dias em que, depois de me acontecer a última peripécia, porque não dizer, o último azar, pensei, instantaneamente : "Porque é que hoje saí de casa?"

Realmente, o que não nos mata, torna-nos mais fortes. O meu dedo é que ainda está a recuperar de ter ficado "entalado" na porta...






e começaram os dias de chuva no Porto.

Tinky Winky, O Enigma

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Ao que parece, o Governo conservador da Polónia anda numa demanda qualquer. Sendo mais específica, pelos lados desse país, está a decorrer uma caça às bruxas a tudo o que possa incitar a homossexualidade.
Querem conhecer uma vítima? Tinky Winky.

Um grupo de psicólogos vai examinar Tinky Winky, a pedido da responsável por um organismo governamental polaco de defesa dos direitos das crianças. Ewa Sowinska, a dita responsável por esse organismo, aponta como razão principal para a suspeita de homossexualidade de Tinky Winky a mala vermelha que, segundo a mesma, é de senhora.

Sinceramente, hoje em dia, o que é só para homens ou só para mulheres? Ou, pelo menos, digo eu, não se está a tentar diminuir o fosso entre as diferenças? Não se anda por aí a gritar aos quatro ventos "igualdade"?

Não é a primeira vez que a orientação sexual de Tinky Winky é questionada a estes níveis. E, com certeza, não será a última. Já o reverendo norte-americano Jerry Falwell , em 1999, declarou que a cor do pequeno “boneco” estava associada ao movimento “gay”.

Se esse tal organismo de defesa dos direitos das crianças se preocupasse com coisas a sério...

Bem, parece que não estamos assim tão longe dos tempos das trevas.

Parabéns André

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